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Manual do Bebê
Você fala manhês?
Mais do que simples brincadeira, a infantilização da fala aos bebês, incentiva na afetividade materna e no desenvolvimento
Por: Redação Sempre Materna
Ilustração/Foto: Stockxpert
Publicado em: 01/03/2009
Alterar o timbre da voz para agudo, usar diminutivos, repetir palavras, alongar as vogais e falar em tom musical são algumas características de uma longa e interessante conversa entre a mamãe e o bebê.
Segundo especialistas, é extremamente comum o adulto falar com bebês utilizando uma linguagem particular, o “manhês” (motherese), que é um modo especial de comunicação utilizado nas mais variadas culturas mundiais.
Estudos comprovam que frases cheias de ritmo, melodia e musicalidade são grandes atrativos para o recém-nascido. Além de acalmá-lo e distraí-lo, servem como estímulo para seu desenvolvimento afetivo e psíquico e evita transtornos infantis. “Infantilizar o modo de falar com o bebê significa identificar-se com a criança. Os benefícios são múltiplos e importantíssimos”, explica a psicanalista e doutora em Linguística Severina Sílvia Ferreira, membro do NEPPNúcleo de Estudo e Pesquisa Psicanálise com Bebês e Crianças/Intersecção Psicanalítica do Brasil, do NINAR – Núcleo de Estudos Psicanalíticos e da ABEBÊ - Associação Nacional de Estudos sobre o Bebê.
Fruto desse contato, cultivado desde a gestação com conversas e até músicas agradáveis, a comunicação torna-se mais envolvente e eficaz. “Essa relação possibilita a mãe a atender às necessidades, demandas e desejos da criança, pois supõe que seu filho já é um falante (ainda que potencial) e um interlocutor (além de responder a ela, ele também tem coisas para lhe dizer)”, comenta a especialista.
A interpretação é o ponto mais forte dessa linguagem; através dela o pequeno será confortado em suas carências, desde as mais básicas, como alimentação, frio e sono, até as afetivas de ambas as partes. As conversações (protoconversações, como é chamada em Linguística) geradas apenas pelo anseio do afeto resultam em momentos únicos e especiais de conhecimento e carinho mútuo entre mãe e filho.
Olhares recíprocos, sorrisos, vocalizações do bebê, imitação dos movimentos dos lábios e língua da mamãe são alguns dos “assuntos” abordados nessa troca de informações. “Não se pode esquecer ainda que, ao responder aos apelos do bebê, a mulher se sentirá prestigiada pelo filho, como sendo capaz de desempenhar satisfatoriamente os cuidados maternos”, completa Severina Sílvia.Ainda segundo a psicanalista, a criança distingue a voz da mãe, principalmente se falada em “manhês”. Mesmo as crianças que apresentam deficiência auditiva são capazes de identificar as vibrações que emanam da fala da mamãe. “A voz materna pode tirar a criança de estados de desconforto, ainda que a mãe não esteja sendo vista. Isto ocorre, por exemplo, quando a criança dá gritinhos, choraminga ou chora e, ao escutar a voz da mãe (mesmo falando de outro lugar), fica quieta e sente-se consolada”.
A partir do sétimo, oitavo e nono mês de vida a psicanalista explica que o uso desse modo de comunicação vai sendo gradualmente diminuído; o “manhês” vai então sendo naturalmente abandonado até o seu total desuso, à medida em que a criança vai cada vez mais se manifestando a partir de si própria.
Para os pais que desejam, em geral de forma inconsciente, que seu filho seja eternamente um bebê e continuam utilizando o “manhês” vai uma dica: essa forma de agir, segundo a especialista, pode retardar o processo de desenvolvimento do pequeno. “É comum encontrarmos crianças que têm bom vocabulário e por estímulo dos pais continuam falando como bebê”, alerta a psicanalista. A propósito, você já conversou com seu filho hoje?
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